Na Ponta da chuteira - O segredo que o presidente da CBF tenta esconder
José Maria Marin tem ainda dois meses de mandato na presidência da CBF. Aos 82 anos de idade, grande parte da sua vida foi e continua sendo ligada à política. A carreira começou em 1963, quando foi eleito vereador em São Paulo pelo PRP.
Marin virou dirigente
esportivo a partir de 1982, como presidente da Federação Paulista de Futebol
(FPF) e lá ficou até 1988. Assumiu a presidência da CBF no dia 12 de março de
2012, após renúncia de Ricardo Teixeira.
Nesse ano, inclusive,
foi alvo de muita polêmica. Marin foi flagrado embolsando uma medalha que seria
entregue a um jogador do Corinthians, que na ocasião tinha vencido a Copa São
Paulo de Futebol Júnior. Por causa do ocorrido, ficou conhecido entre os
jornalistas como "Zé da medalha".
Porém, essa não é a
única mancha na história do cartola. Em 1975, como deputado estadual pela
ARENA, seus discursos raivosos contra a esquerda agradavam os militares. E ele
não fazia isso sozinho. Contava com a ajuda do jornalista Claudio Marques, que
escrevia na "Coluna Um". O alvo era a TV Cultura, cujo editor-chefe
era Vladimir Herzog. A Cultura havia exibido uma matéria da BBC Visnews sobre o
vietnamita Ho Chi Min. Foi o suficiente para Claudio afirmar que o canal
estatal estava nas mãos dos comunistas.
"Acho estranho que apesar da imprensa estar levantando o problema há tempos, pedindo providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2, não tenha acontecido nada até agora."
E continuou...
"Não é só uma questão daquilo que eles publicam, mas o desconforto que provocam não apenas aqui, nem apenas nos círculos políticos, mas que se comenta em quase todos os lares paulistas."
Faltava alguma coisa. Citar um nome em especial. Marin não podia deixar de falar do jornalista que era o paladino da justiça, o delator de comunistas. Segue:
"Gostaria de chamar a atenção da Secretaria de Cultura de São Paulo e do governador do Estado, que devem definitivamente apurar as denúncias publicadas na imprensa de São Paulo, em especial pelo corajoso jornalista Claudio Marques."
Agora sim! O cartola só precisava concluir o brilhante raciocínio e esperar a justiça ser feita. A coisa não podia ficar como estava. Uma TV estatal subversiva?! Seria um absurdo o governo permitir isso. Marin terminou o discurso desta forma:
"Faço um apelo ao governador do Estado: ou o jornalista está errado ou está certo. Essa omissão por parte da Secretaria do Estado e do governador não pode persistir. Mais do que nunca é necessário agir para que a tranquilidade reine novamente nesta Casa e, principalmente, nos lares de São Paulo."
A reação do governo veio em menos de três semanas. No dia 25 de outubro, Vladimir Herzog se apresentou à polícia e nunca mais voltou. Foi torturado e morto pela ditadura. Horas mais tarde, os torturadores tentaram simular um suicídio por parte de Vlado, como era conhecido. Mas a foto não era nem um pouco convincente e a verdade veio à tona.
Quando perguntado sobre o assunto, Marin responde dizendo que é tudo intriga e que jamais citou o nome do jornalista assassinado. Por mais que não o citasse diretamente, será mesmo que tudo não passa de uma conspiração contra o nosso querido "Zé da medalha"?

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